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  • Cissa

Extensão Vocal: senta que lá vem história

Neste post vou contar um pouco sobre como melhorei minha extensão vocal.


Extensão vocal é um dos maiores desafios de quem está começando a cantar ou estudar canto com mais dedicação. Isso porque nos acostumamos a acreditar que a voz é limitada aos recursos que nascem com a gente, é imutável e quase divina a ponto de acreditarmos que não é possível mexer nela sem prejuízo à saúde. Mas a verdade é que nossa voz é muito plástica e o que nos difere uns dos outros são algumas diferenças sutis de timbre e fisiologia, além de comportamentos vocais que são culturalmente construídos.


Comecei a cantar ainda criança, com 9 anos mais ou menos fiz minha primeira apresentação em público. Minha voz era bastante aguda, talvez por ainda ser uma voz infantil ou por ter sido incentivada a ter uma voz aguda. Comecei a cantar em bandas de baile com 14 anos mais ou menos e sempre sobrava pra mim o repertório de Sandy ou coisa do gênero, mas com o tempo e a necessidade precisava deixar meu timbre mais grave e cantar coisas mais densas já que era a única voz feminina na banda. Ainda assim, era quase uma necessidade mudar as tonalidades porque eu “não chegava” nas notas graves.


Na faculdade a mesma situação continuava, eu fui classificada como soprano e minha professora não queria me dar outro tipo de repertório. Paralelo a isso comecei a trabalhar como regente de coros e foi aí que tudo começou a mudar.


Puxando limites


Como regente de coros, precisava passar todas as vozes com todos os naipes do coral cantando com homens e mulheres em todas as linhas. Minha falta de habilidade com o piano na época fez com que eu usasse mais a voz e aos poucos vi a mágica acontecer.


A primeira coisa que pensamos é que “não temos voz”, mas a verdade é que nosso aparelho vocal é muito flexível e às vezes basta quebrar a barreira psicológica e tentar. Um pouco de vontade pra dar aquele puxão nos limites e ir cada dia um passinho além tentando chegar, mesmo que sem conseguir direito.


Treino diário e paciência

Ter uma rotina de treino diário em canto ajuda muito a se lançar nos limites. No meu caso, o processo se deu pela necessidade, mas vale o mesmo princípio. É preciso respeitar o aquecimento vocal e tudo que envolve a saúde do seu aparelho fonador. Ultrapassar limites sem cuidado pode sim trazer problemas, manter uma rotina e estudar sobre técnica vocal vai ajudar a entender porque as coisas não estão rolando como você queria.


Treinar os graves ajuda a melhorar agudos

Os agudos e os graves possuem musculaturas diferentes na entonação, mas quando cantamos graves extremos usando uma voz mais firme, estamos usando e fortalecendo os mesmos músculos que nos fazem chegar nas high notes (notas agudíssimas) é claro que a maneira de estudar pode acelerar o processo.


Vozes masculinas e femininas (pensando do ponto de vista biológico) tendem a ter diferentes dificuldades durante o treinamento, mas no final usamos as mesmas musculaturas para acessar as mesmas notas. Tecnicamente não existem limites para agudos e no que diz respeito aos graves, os limites são bastante flexíveis também.


Usando o microfone

Também é importante saber que a extensão e plasticidade da voz depende muito do volume e intensidade que cantamos. Quanto mais forte a voz sair, menos controle temos sobre ela e menos plasticidade para expandir limites. É sempre recomendado usar um equipamento de retorno como um microfone ou fone de retorno acústico, é claro que cantar no banheiro também funciona muito bem.


Aqui vale dizer que estamos falando de canto popular, crossover ou contemporâneo, ou seja, usando técnicas mistas e nunca um só tipo de técnica. Em técnicas mais clássicas como no canto erudito, a projeção da voz tem uma importância muito maior, o que pode sim limitar a extensão para o bem maior de manter o timbre desejado e é daí que vem as classificações vocais como soprano, tenor, etc. Já no canto popular usamos microfone, equipamento quase obrigatório, o que deixa as coisas mais interessantes e abre possibilidades quase infinitas.


Roteiro de estudos


Em qualquer técnica, ampliar a extensão vocal faz parte de estudar canto e querer melhorar ainda mais a sua performance e esse texto tem a intenção de te motivar e libertar para as mil possibilidades que a voz pode nos dar. Aqui vai um resumo que pode servir de roteiro quando se sentir perdido em como melhorar a extensão vocal


  • cante todos os dias, treino diário é muito importante

  • puxe o limite cada dia um pouquinho mais

  • cante músicas fora do conforto

  • não descuide da saúde e dos aquecimentos antes do treino

  • use um equipamento de retorno (microfone, fones de retorno acústico, o banheiro de casa)

  • devagar e sempre, curtindo o processo

E aí? Esse post te ajudou? Manda uma mensagem, compartilhe seu estudo comigo marcando o @estudacanto nas redes sociais.

Vou adorar te ouvir.


Até o próximo eclipse!


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