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  • Cissa

De volta ao básico

Essas semanas (meses/ano) de isolamento social comecei a assistir animes, um deles me chamou bastante atenção por um detalhe que não foi tão desenvolvido na série, mas que faz pensar.

Haikyū!! é um anime de esporte que surpreendentemente é muito empolgante apesar de ser uma animação e bem divertido de assistir. Um menino sonha em ser um grande jogador de voleibol, ele é pequeno pro esporte, mas possui um impulso extraordinário e consegue alcançar a rede e finalizar em cortadas com uma velocidade impressionante apesar da sua altura . Mas mesmo com essas habilidades especiais, falta muitas coisas que fariam dele um "grande jogador". O que falta? Aprender a base do esporte.


O que isso importa aqui pra gente?


Por muito tempo eu mesma exaltei pessoas com habilidades especiais como sendo excelentes vocalistas e exemplos de que "ou você nasce pra coisa, ou desiste". Hoje eu escuto as mesmas pessoas com uma audição mais critica e consigo perceber que boas habilidades isoladas não fazem boa performance e que não se deve confiar no instinto pra tudo.

É claro que é importante valorizar as nossas habilidades adquiridas na vida, digamos assim, "sem muito esforço ou estudo", mas essas mesmas habilidades podem encontrar uma barreira forte na medida em que faltam coisas mais simples como técnica de base respiratória ou manipulação dos sons de maneira proposital.


É o caso do grande cantor que alcança agudos fenomenais, mas não consegue terminar um show de 1h 30m de duração porque perdeu a voz, ou a cantora que possui graves fortes, mas não acessa nem mesmos os seus médio/agudos possuindo assim uma extensão muito pequena. Isso pra falar só das questões mais comuns relacionadas a extensão, a gente ainda pode ver vocalistas realizando drives vocais e criando problemas de voz abandonando cedo a carreira; pessoas com grandes habilidades musicais dentro do seu estilo criando melismas maravilhosos, mas que quando precisam sair da zona de conforto se sentem perdidas; pessoas com boa afinação, mas que não conseguem entender o tempo ou a complexidade de um arranjo e por aí vai.


São questões técnicas e musicais importantes.


É claro que podemos fazer música solitariamente e dentro do que temos como habilidade já adquirida, mas é inegável que música é uma atividade muito mais social e de troca, tanto no nível da prática quanto no nível da entrega (o que se quer passar para o público) .

Pra poder acompanhar essa troca e tirar dela o que a música precisa pra chegar nas pessoas, é necessário se comunicar bem com quem toca, é preciso se manter em forma, é preciso conhecer o seu instrumento de verdade. E conhecer seu instrumento passa por saber muito bem a base técnica dele.


Tenho sentido isso na pele nos últimos meses. Parei com os ensaios do Trio das Três, por motivos óbvios, e me sinto perdendo algumas coisas que eram muito sólidas. Além disso, a parte musical andava negligenciada com tantas atividades "não musicais" na minha vida de distanciamento social (sim! também cedi a netflix na quarentena).


O que EU tenho feito sobre isso?


A base


Voltei a estudar coisas simples como processos de controle respiratório, articulação e mudanças de filtro, esquemas vocais isolados específicos e me arriscando um pouco mais em drives e whistles.


Streams de música


Estou fazendo lives regulares na twitch - https://www.twitch.tv/cissamusic - pra me por em movimento e me obrigar a tirar novas músicas e estudar coisas fora da zona de conforto.


Estuuuuuda!


A principal mensagem que eu quero deixar nesse post é: não abandone as técnicas de base, estude o básico porque só ele pode dar o suporte que precisamos pra realizar nossas habilidades mais especiais, mesmo as que estiveram lá todo tempo. Nossa saúde vocal e nossa música agradecem.


Bons estudos!


Até





PS: falando de whistles, quem aí já ouviu o duo de whistlevoice da Mariah Carey com Ariana Grande? Dá um "google it" e assiste, tá maravilhoso.


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